Da Fundação Renova aos acordos coletivos multinível

a evolução jurídica na reparação de desastres ambientais entre Mariana e Brumadinho

Autores

  • João Paulo Lordelo Institute of Education, Development and Research
  • Geisa Cunha Franco Federal University of Goiás
  • Giovanni Martins de Araújo Mascarenhas Federal University of Goiás
  • Jéssica Lima Rocha Federal University of Goiás
  • Sophia Fonsêca Morais Federal University of Goiás

Palavras-chave:

desastres ambientais, acordos coletivos, Brumadinho, processo coletivo, reparação de danos

Resumo

Os desastres ambientais de Mariana (2015) e Brumadinho (2019) expuseram as vulnerabilidades do sistema jurídico brasileiro para lidar com litígios de massa decorrentes de grandes catástrofes ambientais. O rompimento das barragens de rejeitos de mineração gerou impactos socioambientais e socioeconômicos de proporções continentais, demandando respostas jurídicas eficazes para a reparação integral dos danos causados às comunidades atingidas. Este estudo tem por objetivo analisar comparativamente a evolução dos mecanismos de acordos coletivos utilizados nos casos Mariana e Brumadinho, identificando as inovações processuais implementadas e avaliando sua efetividade na reparação de danos socioambientais em litígios de massa. A pesquisa demonstrou que o caso Brumadinho representou um avanço significativo na gestão jurídica de desastres, implementando inovações como a resposta judicial integrada por força-tarefa multi-institucional, o auxílio financeiro emergencial com presunção de atingimento territorial, a garantia de assistência técnica independente aos impactados, e mecanismos robustos de auditoria e transparência. O modelo de acordos multinível adotado em Brumadinho contrastou positivamente com as limitações estruturais da Fundação Renova em Mariana, cujo insucesso foi reconhecido institucionalmente através do Acordo de Repactuação homologado pelo STF em 2024. Conclui-se que, embora Brumadinho tenha demonstrado evolução qualitativa na abordagem processual de desastres ambientais, persistem desafios na quantificação de danos complexos, na fiscalização contínua das medidas reparatórias e na garantia de reparação integral. As lições extraídas contribuem para a consolidação de um modelo mais eficaz de gestão jurídica de desastres no Brasil, priorizando a participação das comunidades atingidas e a colaboração interinstitucional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Paulo Lordelo, Institute of Education, Development and Research

Professor at the Brazilian Institute of Education, Development and Research (IDP), Brazil. Ph.D. in Law from the Federal University of Bahia (UFBA), Brazil.

Geisa Cunha Franco, Federal University of Goiás

Professor at the Federal University of Goiás (UFG), Brazil. Ph.D. from the University of Brasília (UnB), Brazil.

Giovanni Martins de Araújo Mascarenhas, Federal University of Goiás

Master’s degree from Federal University of Goiás (UFG), Brazil.

Jéssica Lima Rocha, Federal University of Goiás

Master’s candidate at the Federal University of Goiás (UFG), Brazil.

Sophia Fonsêca Morais, Federal University of Goiás

Undergraduate student at the Federal University of Goiás (UFG), Brazil.

Downloads

Publicado

12-12-2025

Como Citar

LORDELO, João Paulo; FRANCO, Geisa Cunha; MASCARENHAS, Giovanni Martins de Araújo; ROCHA, Jéssica Lima; MORAIS, Sophia Fonsêca. Da Fundação Renova aos acordos coletivos multinível: a evolução jurídica na reparação de desastres ambientais entre Mariana e Brumadinho . Civil Procedure Review, [S. l.], v. 16, n. 3, p. 94–121, 2025. Disponível em: https://civilprocedurereview.com/revista/article/view/456. Acesso em: 22 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)